Seja na arte, seja no próprio sistema capitalista, de fato houve, a partir dos anos 80, uma enorme transformação, cujo ápice vivemos hoje em dia

O pós-modernismo aparece pela primeira vez no cenário intelectual em 1972, com a publicação do manifesto arquitetônico Learning from Las Vegas, de Robert Venturi e seus colegas. Já no âmbito filosófico, foi Jean-François Lyotard, em 1979, quem introduziu a categoria “pós-moderno”, ligando seu surgimento à ascensão de uma sociedade pós-industrial, em que o conhecimento tornara-se uma força econômica de produção. No entanto, seu alcance foi muito maior, uma vez que circunscreveu a pós-modernidade a uma mudança geral na condição humana, em que as grandes narrativas que embasavam a era moderna perderam legitimidade. Seja na arte, seja no próprio sistema capitalista, de fato houve, a partir dos anos 80, uma enorme transformação, cujo ápice vivemos hoje em dia. Contudo, aceitar o pós-moderno como aquilo que não somente veio depois do moderno mas logrou ser uma renovação interna, que pôs abaixo os grandes “mitos justificadores da modernidade”, e com eles a confiança na razão e na busca da verdade, é aderir a um programa que ainda não levou à Auschwitz nem ao stalinismo (crítica pós-moderna à modernidade), mas produziu tipos específicos de barbárie. Nesse sentido, o projeto da modernidade deve ser levado a cabo antes que se possa endossar de modo celebratório e acrítico a pós-modernidade.

Gabriela Corbisier Tessitore é professora do curso de Comunicação e Marketing e integrante do Núcleo Interdisciplinar de Professores