Viver na vida real é o melhor remédio para ansiedade digital

Se você é uma das pessoas que ao abrir sua rede social favorita só encontra gente que tem a mesma opinião que a sua, pode ficar surpreso que várias linhas de código de programação podem estar por trás disso. A criação dessa “bolha ideológica” tem muito a ver com decisões conscientes e inconscientes que tomamos enquanto navegamos em nossas timelines, seja quando deixamos de seguir aquelas pessoas que postaram um textão que não nos interessa ou quando você clica em uma notícia que chamou a sua atenção. Essa automação do seletismo ideológico contribui para um isolacionismo social e, com isso, reforça uma cultura que nos distancia da pluralidade de ideias e, ao mesmo tempo, acaba por nos tornar mais intolerantes a ideias opostas às nossas. Apesar de potencialmente criar uma sensação de pertencimento dentro de um grupo de pessoas que compartilha as mesmas ideias que você, esse fenômeno não substitui a crescente “ditadura da felicidade” que as redes sociais impõem. Numa aproximação rápida do futuro tecnológico distópico de Black Mirror, viver na vida real é o melhor remédio para ansiedade digital.

Victor Grinberg é professor do curso de Relações Internacionais