Pensar de menos, na perspectiva de Hannah Arendt, pode levar à banalidade do mal

Em Homem irracional, filme de Woody Allen, um professor de filosofia deprimido chega a uma nova universidade para lecionar e acaba provocando paixões. A questão central do filme está nos desdobramentos da busca do professor, um homem racional, de um sentido para sua vida, que seja compatível com a filosofia que professa. E ele o encontra na possibilidade de realizar, na prática, sua filosofia em fazer “justiça” – ou o que julga ser justo – com as próprias mãos. É o momento em que o “homem racional” demonstra toda a sua “irracionalidade”, para surpresa de sua aluna deslumbrada e romântica e do público diante do desenlace do filme. A chave pode estar na descoberta da estudante de uma anotação no livro de Hannah Arendt sobre o conceito de banalidade do mal. Pensar de menos, na perspectiva de Hannah Arendt, pode levar à banalidade do mal, como ela desenvolve brilhantemente em Eichmann em Jerusálem; mas pensar demais também, ao eliminar a ética (amor), a estética (sensibilidade) e o papel do acaso-, não levaria a uma banalidade da razão? Woody Allen diverte e faz pensar…

Martin Cezar Feijó é professor do curso de Comunicação e Marketing