Sem nunca passar despercebido, o artista plástico Eduardo Srur usa o espaço urbano como tela em branco para suas provocações

Difícil morar em São Paulo e nunca ter sido impactado pelas obras de Eduardo Srur, 42 anos. São dele, por exemplo, as esculturas de banhistas posicionadas por meses em trampolins sobre o rio Pinheiros – alvo de fotos, ligações para o Corpo de Bombeiros e até tiros. É justamente esse furor que o artista plástico formado pela FAAP quer causar: “Meu objetivo é colocar o dedo nas feridas da cidade para despertar a reflexão”.

Sem medo de se definir como um artista pop, “mas pop engajado, por favor”, faz bom uso do talento que tem também para os negócios. Suas obras são representadas pela Galeria Rabieh e há dez anos ele divide o tempo entre os convites para expor em países como Espanha, Alemanha, França e Itália, e a ATTACK Intervenções Urbanas, empresa própria que desenvolve projetos especiais para marcas, utilizando a cidade como pano de fundo – foi dele, por exemplo, a instalação Bubbles, encomendada pela Perrier Jouët, que disparou milhares de bolhas de sabão na entrada da última edição da SP Arte.

“Sou bom empreendedor e sei dar valor às minhas ideias. Nesse sentido fui muito incentivado pelos professores que tive na FAAP. Cheguei a cursar dois anos de Propaganda e Marketing antes de migrar para as Artes Plásticas, mas entendi que o que eu mais gosto de fazer também poderia ser encarado como um bom negócio.”

Mesa de trabalho

01_Colete
“Vesti na estátua do duque de Caxias, na praça Princesa Isabel. A ideia era resgatar heróis nacionais do esquecimento.”

02_Tinta óleo
“Hoje só 20% do meu trabalho é pintar, mas ainda adoro. Passei a noite fazendo uma peça encomendada.”

03_Boia
“Sem autorização, lancei 360 boias como esta, com os dizeres “A arte salva”, no espelho-d’água em frente ao Congresso Nacional.”

04_Madeira
“Era do eucalipto de 20 toneladas que plantei no Ibirapuera, para chamar atenção para o desmatamento.”

05_Miniatura
“Fiz o primeiro em tamanho gigante. Quis fazer uma inseminação artística em um evento pasteurizado como o Cow Parade.”

06_Grampos
“Servem para prender os objetos em que estou trabalhando.”