O ator Marcos Caruso e sua escolha pelo Teatro FAAP para encenar seu monólogo

“O teatro é o lugar da mentira.” Assim começa o trecho final do monólogo O escândalo de Philippe Dussaert, até julho em cartaz no Teatro FAAP e interpretado por Marcos Caruso, ator que já mentiu como poucos ao longo de sua carreira de 45 anos. A peça rendeu a ele seis prêmios, um elogio do próprio autor – o francês Jacques Mougenot –, além de um público estimado em mais de 15 mil pessoas – em agosto, substituída por Meu querido maestro, sobre a vida do pianista e regente João Carlos Martins. Antes de encerrar a temporada, Marcos Caruso – cujo filho estudou Cinema na FAAP e hoje é diretor na Globo – contou o que mais chamou a sua atenção no texto original da peça e sobre a escolha pelo Teatro FAAP para encená-la.

O que mais te atraiu nessa peça?
Queria ter a oportunidade de poder falar a frase mais importante da peça: “São com palavras mentirosas que hoje em dia o nada vira alguma coisa e ainda custa uma fortuna”. Nada mais atual.

Apesar de ser um monólogo, a plateia acaba participando da peça. Esse era o objetivo?
A proposta é do próprio autor, inclusive. Eu considero a peça um “solo coletivo”. De maneira positiva, a plateia acaba se sentindo de certa forma como um personagem.

Você já havia atuado no Teatro FAAP? Por que escolheram apresentar essa peça aqui?
Como ator, não. Já tinha dirigido uma peça há alguns anos, mas nunca havia atuado. Eu considero o Teatro FAAP um dos melhores de São Paulo, sem dúvida. A proximidade do palco com a plateia foi o que nos motivou a escolhê-lo, queríamos exatamente um lugar assim.