FAAP realiza exposição sobre Auguste Perret, um dos arquitetos mais importantes do século 20

Era 23 de abril de 1938 quando Armando Alvares Penteado, intelectual e descendente de uma das famílias mais importantes no ramo do café, redigiu o seu testamento. Nesse documento, ele pedia que sua esposa, dona Annie Penteado, vendesse parte de suas propriedades para construir um museu e uma escola de artes. Ele faleceu em 1947 e coube ao arquiteto francês Auguste Perret concretizar seus desejos, planejando a construção do primeiro edifício da FAAP – e a sua única obra na América Latina.

Apesar de Perret ser um dos precursores do Modernismo na Arquitetura e o responsável por grandes obras, como o Teatro do Champs-Élysées e a igreja Saint Joseph, na França, a sua importância não é devidamente reconhecida. Para que o público se conscientize sobre a relevância de seu trabalho e do projeto, o Museu de Arte Brasileira da FAAP realiza em março a exposição Abrindo arquivos: o arquiteto Auguste Perret e o projeto para o Museu da FAAP.

Planta assinada por Auguste Perret: 4 de setembro de 1947, Paris, França

Os professores cocuradores são especialistas no assunto. Francisco Barros produziu a primeira dissertação de mestrado sobre o edifício. Maria Cristina Wolff estuda Perret e o prédio há uma década. A ideia é que o evento seja o primeiro passo para um processo de pesquisa e montagem de um arquivo dentro da faculdade. “Essa exposição tem vários significados, no sentido de resgatar e divulgar essa história e de reconhecermos a importância dela junto à nossa comunidade”, conta Maria Cristina.

A exposição contará com os desenhos iniciais do prédio, alguns dos projetos mais significativos do escritório Perret, bibliografias sobre as suas obras, plantas do edifício e fotografias. Também terá correspondências trocadas entre Perret e Le Corbusier, seu aluno e hoje considerado um dos arquitetos mais conceituados do século 20. “É interessante que os alunos prestem atenção ao espaço em que estão, se incorporem das proporções, da iluminação, da riqueza e sintam orgulho. Nós somos contaminados pelo edifício quer queira, quer não, mas com o conhecimento essa impressão se torna mais densa”, afirma Francisco.

O saguão do prédio principal em obras