FAAP aposta na educação a distância com um primeiro curso tecnológico em Gestão Pública e acelera o passo rumo a um futuro on e off-line

Em 2017 – ano dos últimos dados disponíveis –, cerca de 8,3 milhões de estudantes matricularam-se no ensino superior no Brasil. Deste total, 21,2% escolheram graduar- se a distância, longe dos bancos (físicos) de faculdades e centros universitários., segundo o Censo da Educação Superior realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep. É um número imponente, reflexo do avanço do uso de novas tecnologias em educação. Afinal, qualquer pessoa que disponha hoje de um smartphone e conexão com a internet tem acesso a um volume de informações inimaginável há apenas uma década. Nesse cenário, que papel cabe às faculdades e aos centros universitários?

A FAAP inaugura em 2019 seu primeiro curso no formato EaD. Ele nasce na área de Administração, que já tinha em seu Plano de Desenvolvimento Institucional o desejo de ofertar a modalidade. Formará profissionais em Gestão Pública, área em que a FAAP cultiva uma tradição desde que criou a bem-sucedida pós-graduação em Gerência de Cidades. Mas a escolha não recaiu sobre o tema apenas pela experiência da instituição no setor. “Não há momento melhor para aprimorarmos a qualidade dos nossos gestores públicos”, pondera o coordenador do curso, Arnaldo Borges. “O Brasil passa por grandes transformações e essa é uma área carente de bons profissionais.” Professor do curso de Administração, Arnaldo foi escolhido para comandar a estreia da FAAP na EaD por sua passagem pela vida pública – foi diretor dos parques da Luz e do Ibirapuera, em São Paulo, atuou na assessoria política de Franco Montoro, governador do estado de São Paulo entre 1983 e 1987, e na Secretaria de Estado da Educação, sob o comando de Paulo Renato, em meados dos anos 80, entre outras posições. Oferecer um curso de Gestão Pública guarda até mesmo uma coerência filosófica com o posicionamento da FAAP, que oferece desde 1973 o curso de Administração empresarial.

O MEC sabe da importância dos cursos tecnológicos, que são ágeis, operacionais e asseguram eficiência de modo muito mais rápido – Leny Leitão, coordenadora de Planejamento e Avaliação da FAAP

O curso recebeu nota 5 na avaliação da Comissão de Especialistas do INEP e não será um bacharelado, mas um curso tecnológico, que proporciona formação em nível superior em dois anos, duração coerente com o ritmo do mercado de trabalho e das organizações no século 21. “O MEC sabe da importância dos cursos tecnológicos, que são ágeis, operacionais e asseguram eficiência de modo muito mais rápido”, pondera a coordenadora de Planejamento e Avaliação da FAAP, Leny Leitão, sobre o processo de credenciamento junto ao Ministério da Educação.

A distância, mas com DNA próprio

O primeiro curso a distância da FAAP terá características únicas, associadas ao DNA da instituição. Em geral, os cursos a distância são massivos, com turmas de várias centenas de alunos; esses jovens são atendidos por tutores revezando-se on-line para esclarecer dúvidas que, muitas vezes, se restringem a questões operacionais do sistema, e por professores que realizam sessões de bate-papo e webinars.

O curso de Gestão Pública terá um corpo de professores-tutores que serão responsáveis pelas videoaulas de suas disciplinas, selecionarão o material pedagógico que o aluno deverá utilizar e estarão disponíveis para responder a questionamentos, corrigir tarefas e trabalhos e participar de discussões em chats. “Será um atendimento quase personalizado”, explica o coordenador, Arnaldo Borges. “Nossos professores serão tutores no sentido mais amplo da palavra: aquele que ensina o aluno a estudar, a buscar o conhecimento na fonte, que serão os livros.” Para facilitar a consulta às obras, a FAAP ampliou o acesso ao sistema Minha Biblioteca, com um acervo de mais de 9 mil livros, que os alunos poderão consultar de forma remota, a qualquer momento do dia. As videoaulas serão gravadas nos estúdios de Rádio e TV e Videomeios, utilizando a estrutura da FAAP. Para garantir essa proximidade, haverá apenas 120 vagas anuais. O ingresso se dará por meio do vestibular e as avaliações serão presenciais, realizadas no campus São Paulo – já que, ao menos inicialmente, a FAAP não terá polos de EaD em outras cidades brasileiras. Para a consultora em EaD Rita Tarcia, diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e professora universitária de cursos de graduação e pós a distância, essa decisão estratégica está longe de ser obstáculo. “A FAAP tem uma característica maravilhosa: os alunos gostam de estar dentro dela. É um lugar belo, estimulante, onde se criam e se consolidam relações que podem se estender por toda a vida. A obrigatoriedade da prova presencial garante que o aluno de EaD não será privado desse convívio identitário”, explica ela.

Um ensino híbrido

Identidade é palavra-chave do curso de Gestão Pública a distância. Mesmo sendo um tecnológico a distância, foi desenhado nos mesmos padrões dos cursos presenciais da FAAP – os alunos da EaD poderão inclusive frequentar a academia e usufruir da Formação Múltipla, o programa que permite fazer até quatro disciplinas por semestre em outros cursos. “A FAAP conseguiu garantir seu modelo presencial na modalidade a distância. Criou um curso de EaD que não se baseia em escala, mas em qualidade”, avalia Rita Tarcia. Ao conjugar as virtudes do presencial com a agilidade e a modernidade dos ambientes virtuais de aprendizagem, a FAAP caminha para um ensino voltado para o amanhã: os modelos híbridos. Nessa abordagem pedagógica, usa-se a tecnologia no que é possível e melhor ser trabalhado a distância e o presencial no que ele tem de mais rico para que o aluno aprenda.