Alunos voluntáriados da FAAP dedicam tempo e talento para quem precisa e, de quebra, ganham destaque no mercado de trabalho

Foi através de um convite despretensioso de amigos que Raphael Tafner, 24 anos, visitou a ONG Sonhar Acordado pela primeira vez, em 2008. “Como eu estava sem fazer nada, decidi ir com eles”, conta Tafner. Desde então, o aluno do 10º semestre de Arquitetura na FAAP dedica parte de seu tempo livre à organização internacional, onde passou a coordenar o Amigos para Sempre, um dos quatro projetos realizados na unidade de São Paulo. Lá, conheceu Amanda Maia, 19 anos, estudante do 3º semestre de Publicidade e Propaganda, e Willisa Roque, 22 anos, estudante do 9º semestre de Direito. O trio faz parte de um grupo de jovens que reserva um sábado por mês para realizar atividades com crianças de comunidades carentes, como brincadeiras e visitas a museus e zoológicos. “Em todas as ocasiões, a gente sempre tenta passar algum valor, como respeito e obediência”, explica Tafner.

Antes era o inglês que era obrigatório para o mercado de trabalho, agora é o trabalho voluntário. As pessoas que praticam isso têm um diferencial porque já têm outra visão de mundo — Raphael Tafner, 24 anos, estudante do 10o semestre de Arquitetura.Voluntário há sete anos, hoje é coordenador de projeto na ONG Sonhar Acordado

Sempre que possível, Willisa, que faz trabalho voluntário desde os 14 anos, participa também das ações realizadas pela faculdade. Com a grande procura de alunos como ela, o FAAP Responsabilidade Social, que centraliza, planeja e executa as ações sociais da Fundação, criou em 2013 o Núcleo de Voluntariado. Ele conta com um cadastro da comunidade faapiana disposta a participar de ações de responsabilidade social, sejam eventuais ou com frequência definida. Atualmente são mais de 500 alunos inscritos para participar das atividades do FAAP Social, como a disputada oficina de cupcakes, a de hortas verticais e outras tradicionais, como a campanha do agasalho, doação de sangue e arrecadações de alimentos do Trote Solidário.

Ser voluntário nos faz ver o mundo de outro jeito. Sou privilegiada e, com o voluntariado, aprendemos que a vida que a gente tem não é a vida de todo mundo — Willisa Roque, 22 anos, estudante do 9o semestre de Direito.Voluntária há oito anos, hoje atua na ONG Sonhar Acordado e em atividades do FAAP Social

Apesar de iniciativas envolvendo contato direto com crianças e idosos serem mais populares, às vezes é de trabalhos corriqueiros que as ONGs mais precisam. “Os voluntários em geral querem botar a mão na massa, mas é difícil alguém querer cuidar da parte administrativa, que é uma grande deficiência das organizações”, explica Andrea Sendulsky, coordenadora do FAAP Responsabilidade Social. Orientada pelo Núcleo de Voluntariado, a aluna do 1o semestre de Relações Internacionais Laura Paranhos, 18 anos, passou a dedicar 3 horas semanais ao registro de alimentos recebidos pela Fraternidade Irmã Clara, que fornece abrigo e apoio a portadores de paralisia cerebral. “É muito difícil lidar com situações mais pesadas, de extrema pobreza ou doenças, mas existem coisas muito simples que podemos fazer”, diz Laura, que participa de atividades voluntárias desde os 16 anos.

Vai e vem

Enquanto voluntários destacam o bem-estar de agir em prol da sociedade, especialistas em recrutamento afirmam que a boa ação também valoriza o currículo. “O mercado de trabalho quer saber se o candidato tem disposição de olhar para o próximo, iniciativa de querer ganhar experiência ou de contribuir com algum talento. O voluntário sempre ganha um ponto a mais porque demonstra que foi proativo e procurou ocupar o tempo com algo que não trouxesse só benefícios a ele, mas também para a sociedade. Isso está bastante em alta”, explica Simone Tavit, coordenadora do Departamento de Carreiras e Orientação Profissional da FAAP. “O maior gargalo das empresas hoje é o bom relacionamento interpessoal. Por isso, muitas vezes elas acabam contratando pessoas que sabem se relacionar melhor, no lugar daqueles que têm a melhor capacidade técnica”, diz.

É uma questão de crescimento pessoal, porque às vezes a gente também carece dos aprendizados que as crianças proporcionam. Aprendemos a dar valor ao que temos e gastamos o tempo de uma boa maneira — Amanda Maia, 19 anos, estudante do 3o semestre de Publicidade e Propaganda. Voluntária há seis anos, hoje atua na ONG Sonhar Acordado

Por onde começar

Uma das funções do Núcleo de Voluntariado da FAAP é dar consultorias aos alunos que querem ser voluntários, mas não sabem ao certo o que fazer. Uma das ferramentas usadas no processo é a plataforma social Atados, que conecta pessoas e organizações. Nela, a ONG divulga sua necessidade e o voluntário busca uma vaga, filtrando por causa, habilidade e local de preferência. A seguir, instituições e projetos prontos para receberem ajuda:

Cidadão Pró-Mundo_ Há 19 anos, a ONG promove igualdade de oportunidade através do ensino voluntário de inglês em comunidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Como ajudar: Financiando os estudos de um  ou mais alunos (a partir de R$ 15) ou integrando a equipe de professores, gestores ou trainees.

FIC Feliz_ A instituição auxilia pessoas com paralisia cerebral, fornecendo abrigo, tratamento, reabilitação e inclusão social há 33 anos. Como ajudar: Realizando doações mensais ou esporádicas, além de atuar como voluntário na sede da FIC Feliz.

Qquintal_ O projeto acontece na ONG Cáritas Santa Suzana, no Morumbi, zona sul de São Paulo. O objetivo é incentivar a transformação do espaço através de aulas de jardinagem, marcenaria e skate com turmas de crianças e adolescentes atendidos pela instituição. Como ajudar: Sendo professor na ONG ou no projeto Qquintal.

Teto_ Presente na América Latina, busca superar a situação de pobreza em assentamentos precários através da ação conjunta de moradores e voluntários. No Brasil, a iniciativa já construiu mais de 1.900 moradias de emergência. Como ajudar: 
Participar das construções de casas e aplicações de enquetes nas comunidades.

É um dever de todo cidadão ajudar quem precisa, quem não tem tanto acesso a recursos. É bom fazer algo que seja útil para as pessoas, por menor que seja a participação — Henrique de Paula, 19 anos, estudante do 5º semestre de Arquitetura.Voluntário há dois anos, hoje atua em atividades do FAAP Social

Sempre penso no bem que posso oferecer a quem está ao meu redor. Espero incentivar outros a acreditarem que nem todas as pessoas do mundo são ruins ou querem seu mal — Luiza Maynart, 23 anos, aluna do 8º semestre de Relações Internacionais.Voluntária há oito anos, participou do programa Jovens Missionários e hoje atua em atividades do FAAP Social