O curso de Ciências Econômicas da FAAP aposta na formação multidisciplinar, com forte base em humanas, para criar profissionais versáteis em um mercado em constante transformação

Renato Agurto é estagiário no banco Santander. Ele passa boa parte do seu dia tentando prever se as pessoas vão ou não pagar suas dívidas, já que trabalha na área de risco de crédito do banco – ou seja, a área responsável por indicar os clientes que devem valer a confiança da instituição. Para isso, Renato basicamente analisa os setores nos quais os negócios de seus clientes estão inseridos – isto é, quem são os fornecedores, os consumidores, quais os custos de produção e os riscos envolvidos – para tentar discernir, de antemão, os bons pagadores dos maus.

“Eu não tenho dúvida de que consegui esse estágio por causa das aulas da FAAP, muito voltadas para o que o mercado espera”, conta ele, aluno do 7o semestre do curso de Ciências Econômicas. “No dia a dia do trabalho, tive a comprovação de como a nossa formação é forte. Temos aulas de empreendedorismo, contabilidade, tudo muito reforçado por análise setorial, o que é fundamental em áreas como a que eu trabalho.”

Para ele, o ponto forte do curso é a 
ponte entre a teoria e a prática, o equilíbrio 
perfeito entre a visão concreta e a abstrata, tão importantes na Economia. É por isso que a proposta da faculdade não se limita apenas às disciplinas quantitativas, tradicionalmente mais associadas à economia, como matemática, estatística e econometria – que fazem parte da grade, mas já não bastam para formar profissionais capacitados a tomar decisões que influenciam a vida de milhares de pessoas.

O mundo está mudando rapidamente e quanto mais habilidades e competências o profissional tiver, mais longe ele irá – Silvio Passarelli, diretor do curso de Economia

Hoje o curso passou a dar mais destaque às disciplinas ligadas às formações teórico-quantitativas, como as disciplinas de política, sociologia, história, direito, microeconomia, macroeconomia e finanças. “A economia está inserida nos ambientes sociais e políticos”, afirma Paulo Dutra Costantin, coordenador do curso. Por isso, disciplinas de formação geral, como Direito – que aborda direito tributário, por exemplo, esclarece as leis de arrecadação e distribuição de impostos e como elas impactam as empresas e o setor público –, são fundamentais para a formação do economista.

“O mundo está mudando rapidamente e quanto mais habilidades e competências o profissional tiver, mais longe ele irá”, afirma Silvio Passarelli, diretor do curso de Economia da FAAP. Segundo ele, a globalização e a tendência de automatização de funções antes essenciais, como contratos de advogados e diagnósticos médicos, em algo que pode ser realizado por máquinas desenvolvidas com inteligência artificial criam a necessidade de um novo perfil de profissional, muito mais interdisciplinar.

Foi pensando nisso também que o curso ganhou uma novidade: além das matérias obrigatórias, os estudantes optam por disciplinas eletivas ao final do curso. Entre as mais procuradas estão Economia Computacional e Big Data, que exploram conceitos como inteligência artificial e mineração de dados. Porque ser economista hoje é entender de quase tudo – e muito.

Conectados

Outro diferencial do curso de Ciências Econômicas da FAAP é a forte relação com as disciplinas de Relações Internacionais, que também está sob o guarda-chuva do curso de Economia. Os dois cursos compartilham professores e conhecimentos entre si, em matérias como economia brasileira e internacional e matemática financeira.

Tomamos um remédio para curar a dor de cabeça e acabamos provocando uma dor de estômago. As decisões têm um efeito colateral, e é isso que todo economista tem de saber prever e conseguir resolver – Paulo Dutra Constantin, coordenador

As coordenações dos dois cursos também realizam, em conjunto, as chamadas Missões Estudantis. “Não se trata de turismo”, explica Fernanda Magnotta, coordenadora e professora do curso de R.I. e uma das organizadoras do projeto. As viagens, que têm como objetivo explorar temáticas internacionalistas e econômicas, como conflitos entre países e assembleias do Banco Mundial, possui uma programação intensa e com cobranças acadêmicas. Ela destaca a excursão a Israel e Palestina, que teve sua última edição realizada em 2013, como uma das mais memoráveis. “Todos os viajantes ficam hospedados em casas de famílias judias e palestinas, ouvindo seus relatos sobre os conflitos entre os dois Estados e colocando as opiniões em debate”, conta.

Equilíbrio emocional

A professora e ex-aluna do curso, Anapaula Davila acredita que o economista enfrenta um constante desafio ao lidar com questões quantitativas e qualitativas simultaneamente. “Não é só pela racionalidade que a gente consegue interpretar situações e decisões econômicas. Muitas vezes, é o oposto: o emocional é o elemento dominante.” Ela compara o economista a um médico, responsável por diagnosticar e curar doenças do sistema econômico. Assim como o médico, para escolher o tratamento certo, é preciso ir além de estatísticas e ponderar o comportamento geral do organismo. O coordenador do curso, Paulo Dutra Costantin, faz coro à analogia. “Tomamos um remédio para curar a dor de cabeça e acabamos provocando uma dor de estômago. As decisões têm um efeito colateral – e é isso que todo economista tem de saber prever e conseguir resolver, impondo os menores custos para a sociedade”, explica.

Para entender essa dinâmica, a base teórica na FAAP também é acompanhada por disciplinas e atividades práticas. Um dos eventos voltados à aplicação de conceitos teóricos é a Semana de Economia, na qual vários profissionais são convidados para palestrar. Roberto Macedo, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Paulo Kakinoff, presidente da Gol Linhas Aéreas, e Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, são alguns dos que já estiveram presentes no evento.

A ideia é que as discussões sejam pautadas em temas contemporâneos. Renato Meirelles, por exemplo, presidente do instituto Locomotiva, discutiu as transformações econômicas e sociais da população brasileira, como a ascensão da nova classe média e a democratização da tecnologia. “Foi uma ótima oportunidade poder falar quem são os brasileiros por trás dos números”, lembra. Meirelles considera que o bom profissional precisa entender que “existe amor no Excel” e deve furar bolhas sociais e econômicas constantemente, ou seja, sair dos ambientes privilegiados e entender como vivem as pessoas menos abastadas do país.

Esse, aliás, é um dos conceitos do programa Alunos Ensinam, criado pelo FAAP Social, que seleciona um curso a cada semestre para dar aulas a uma instituição de fins sociais. Larissa Ohara, ex-aluna do curso, destaca que ter participado dessa atividade foi decisivo na construção do seu caminho profissional.

Ela, que sempre ajudou seus colegas a estudarem para as provas, foi professora por uma tarde, ensinando educação financeira ao Grupo Espírita Batuíra, de São Paulo. O objetivo era mostrar como os participantes poderiam organizar seu orçamento e impulsionar suas atividades. “Percebi que consigo explanar um assunto que gosto e que as pessoas captam o que quero passar. A experiência foi muito gratificante e, por causa dela, percebi que a carreira acadêmica é algo que desejo agregar à minha vida futuramente”, diz ela aos 22 anos, hoje mestranda em Economia.

As oportunidades oferecidas pelo curso carregam consigo diversas exigências em contrapartida. Espera-se do aluno responsabilidade, organização e foco para desenvolver-se além de habilidades técnicas. “Queremos alunos que sejam agentes da sociedade, e não alunos conformados e resilientes”, explica Passarelli. “Só se constrói a autonomia de conhecimento quando você tem possibilidade e capacidade de, inclusive, duvidar do que seus professores falam.”

Renato Agurto
21 ANOS, aluno do 7º semestre de economia e estagiário no Banco Santander

O que é estudar Economia hoje? 
A importância da Economia está na sua interpretação da sociedade e de como ela se vê no decorrer da história. Em tempos de decadência, as pessoas enxergarão o pior de si, e nos tempos de prosperidade, o melhor. Por isso, o economista não está necessariamente preocupado em produzir mais, mas em criar oportunidades para uma ampla qualidade de vida. Isso pode se dar nos detalhes, como em investimentos na cidade para criar lugares agradáveis e arborizados.

Larissa Ohara
22 anos, Formada na FAAP e mestranda em Economia

O que é estudar Economia hoje? 
É poder caminhar por várias direções. Não se trata de uma disciplina restrita. Muitos de meus colegas da faculdade encontraram suas vocações trabalhando em bancos, outros são empreendedores e outros, assim como eu, estão seguindo para a área pública.

Anapaula Davila
46 anos, Professora e coordenadora de Monografias do curso de ciências econômicas

O que é estudar Economia hoje? 
É ser capaz de analisar o contexto para identificar as tendências, os comportamentos e as melhores aplicações de recursos no mundo. As novas tecnologias estão promovendo mudanças em toda a base produtiva. Em breve teremos impressoras 3-D em casa, por exemplo. Com elas, poderemos ter em mãos produtos de um fornecedor que está do outro lado do mundo, sem precisar importá-lo.

Paulo Dutra
49 anos, Professor e coordenador do curso de Ciências Econômicas

O que é estudar Economia hoje? 
É ajudar a sociedade a cumprir com seus objetivos nos mais diversos níveis e setores. Fazemos escolhas o tempo todo, seja de curto, médio ou longo prazo, nas diferentes áreas da vida. Por exemplo, se um empresário não sabe se fará investimentos em meio a uma instabilidade financeira, o economista pode contribuir com sua análise para que ele tome a melhor decisão.

Quais são as áreas de atuação do economista?

SETOR PÚBLICO_ O economista pode trabalhar em secretarias municipais, estaduais, ministérios e empresas de economia mista. Seu papel é ajudar o governo a implementar suas políticas. Por exemplo, é essencial que um engenheiro de tráfego da prefeitura trabalhe em conjunto com um economista, viabilizando economicamente projetos para a redução de congestionamentos e visando melhorias de ruas e avenidas.

SETOR PRIVADO_ Nessa área, os economistas costumam disputar vagas com administradores e internacionalistas. Muitos recém-formados atualmente miram o mercado financeiro, como bancos, fundos de investimento e bolsa de valores. Os profissionais são, por exemplo, requisitados para fazer análises macroeconômicas.

TERCEIRO SETOR_ Em organizações não governamentais (ONGs) e instituições sem fins lucrativos, o economista pode viabilizar financeiramente novos projetos e captar os recursos necessários.